segunda-feira, 17 de março de 2014

Pronto-socorro ou pediatra?

Quando as crianças ficam doentes, muitas famílias preferem correr para o hospital a marcar uma consulta com o médico dos pequenos, mesmo nos casos mais brandos. Mas é a melhor opção?

É noite de domingo. A sala de espera do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, está cheia, e muitas das pessoas presentes estão acompanhadas por crianças. A advogada paulista Katia Mourão, 30 anos, é uma delas. Trouxe com o marido a filha Isadora, 2 anos, porque a menina estava com febre. “Notei que ela começou a ficar muito manhosa, que o seu corpinho estava quente, daí o termômetro confirmou as minhas suspeitas”, conta. “Achei mais prático vir direto para cá, pois, do contrário, teria que falar com o pediatra somente amanhã. Ele provavelmente marcaria uma consulta, mas nossa agenda está lotada na semana que vem e não há outra pessoa que possa acompanha-la.” A publicitária carioca Fernanda Coelho, 28 anos, decidiu ir ao pronto-socorro por puro medo e ansiedade de esperar até o dia seguinte para falar com o médico que acompanha seu filho, Arthur, 1 ano e meio. “Como a maioria das mães de primeira viagem, fico bastante assustada diante de qualquer sintoma e tenho receio de dar remédio por conta própria”, diz. “Como o Arthur está muito abatido, com febre e um pouco de diarreia, preferi procurar ajuda hoje mesmo.”

Assim como Katia e Fernanda, muitos pais, seja pela praticidade, seja pela falta de tempo ou ainda pela ansiedade, preferem correr para o hospital a entrar em contato com o pediatra e, se necessário, agendar uma consulta. “O fato de o pronto-socorro funcionar 24 horas e ser de fácil acesso faz com que seja bastante atrativo para muitos pacientes que poderiam, tranquilamente, aguardar uma consulta com seu médico de confiança”, afirma a pediatra Milena De Paulis, do Hospital Israelita Albert Einstein, que também é membro do Departamento de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo e médica do pronto-socorro do Hospital Universitário da USP. “O problema é que se trata de um local de atendimento de emergências: ou seja, quando há, de fato, risco de a pessoa morrer ou de o quadro se complicar, o que faz com que a atuação do médico tenha que ser imediata”, explica a dra. Milena. “Mas, como muitas pessoas procuram o serviço em outras situações, é inevitável que ele fique lotado e haja um grande aumento na insatisfação dos pais e dos pacientes e também um desgaste da equipe.” Outro inconveniente: o excesso de gente faz com que a espera fique muito maior. “Assim que o paciente chega, é feita uma triagem e os quadros urgentes são atendidos com prioridade”, conta o dr. José Luiz Setúbal, presidente do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. “Os outros demoram cerca de 40 minutos para serem recebidos pelo médico.” Em algumas épocas do ano, como o inverno, em feriados, finais de semana e às segundas-feiras, e em alguns períodos como a hora do almoço ou após as 18 horas, em que a procura é ainda maior, o tempo que as pessoas permanecem na sala de espera se torna muito mais longo. “Os casos classificados como menos graves costumam aguardar cerca de 30 minutos, e os sem gravidade, dependendo da época, podem aguardar entre uma e duas horas, em média”, calcula a dra. Milena De Paulis. “Os atendimentos mais comuns no pronto-socorro acabam sendo de doenças simples, como resfriados e quadros respiratórios, bronquites, ou infecciosos, como as pneumonias ou diarreias”, completa o dr. José Luiz Setúbal.

Contaminação
Além de deixar profissionais, pacientes e acompanhantes bem desgastados, a permanência no pronto-socorro aumenta o risco de os bebês piorarem o quadro. Isso porque a maioria das pessoas que procura o hospital está com alguma doença infecciosa, e aquele tempo na sala de espera faz com que os pequenos entrem em contato com algum outro vírus ou bactéria que esteja no ambiente. “O contágio pode ocorrer por via respiratória, por meio da tosse, por exemplo, ou pelo contato com secreções contaminadas, como a saliva e a coriza”, alerta a dra. Milena. “Em se tratando de crianças que, mesmo doentes, gostam de explorar o ambiente e interagir umas com as outras, existe uma possibilidade grande de adquirirem nova infecção.”

Pediatra 24 horas
Por tudo isso, o ideal é sempre procurar primeiro o pediatra que acompanha a criança e conhece seu histórico de saúde. “Assim, a puericultura, que é a pediatria da promoção à saúde e da prevenção, terá sua validade”, afirma o dr. Moises Chencinski, pediatra homeopata de São Paulo. Claro, é preciso ter critério antes de ligar no meio da madrugada para o médico, mas você não precisa se constranger de contatá-lo caso seu bebê apresente um sintoma mais forte ou haja um agravamento do quadro, você fique preocupada com alguma reação que a criança apresente após ingerir remédios ou alimentos, ou tenha dúvidas sobre certos cuidados que o especialista recomendou. Os pediatras estão acostumados a ouvir o telefone tocar a qualquer hora do dia ou da noite. Ter um médico atencioso é essencial – assim os pais se sentem seguros e não pensam em recorrer ao pronto-socorro diante de qualquer alteração.

“Na maioria das vezes, é possível resolver tudo com uma orientação pelo telefone e, se for o caso, marcar uma consulta para o dia seguinte”, diz a pediatra Maria Cristina Senna Duarte, da UTI Pediátrica e Neonatal Cirúrgica do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro. Agora, se o profissional escolhido para cuidar de seu filho não atende o celular, não retorna as ligações nem se mostra disponível para ajudá-la, procure outro. Foi o que fez a advogada paulista Silvana Di Pietro, 33 anos, mãe de Lucas, 3 anos, e Georgia, 1 ano e meio. “Quando o Lucas nasceu, tinha uma médica que sempre parecia incomodada em me atender fora do horário das consultas, mesmo por telefone”, lembra Silvana. “Uma vez ele teve febre e uma diarreia muito forte por volta das 22 horas. Como tinha apenas 6 meses, achei melhor entrar em contato. Em vez de me acalmar e orientar, ela disse para eu ir ao hospital, onde existem médicos de plantão a qualquer hora.” Depois desse episódio, Silvana trocou de pediatra e hoje conta com um profissional que se mostra mais disponível para ajudá-la com o que for preciso — e em qualquer horário.

Quando o pronto-socorro é a melhor opção?
Há, sim, situações em que vale a pena correr para o hospital. “Quando o estado geral da criança estiver muito alterado (com prostração, febre alta persistente, oscilação grande de temperatura ou ainda convulsões), procure o serviço de emergência”, recomenda o presidente de hospital José Luiz Setúbal. “No caso da febre, se a criança tiver menos de 3 meses de idade e apresentar mais de 37,8º ou se tiver idade inferior a 3 anos e com temperatura maior do que 39°, sem nenhum sintoma como tosse, coriza ou alteração intestinal, também justifica procurar o PS”, acrescenta a pediatra Milena De Paulis. “O mesmo vale para recém-nascidos apáticos, pálidos ou roxinhos de repente e sem explicação aparente, em quadros de vômitos incontroláveis (mais de três episódios por hora) ou muita dificuldade para respirar”, diz a dra. Milena. Queimaduras, cortes, engasgos, fraturas, traumas na cabeça seguidos por sonolência e reações alérgicas com placas vermelhas pelo corpo ou falta de ar também não podem esperar. Em casos mais brandos, adotar um pediatra atencioso é mais vantajoso do que frequentar esse ambiente nada agradável.

[bebe.abril]

sexta-feira, 14 de março de 2014

As dores mais comuns na gravidez

Desde as mais suaves até as mais chatinhas, elas são um incômodo comum e onipresente. "As dores na gestação são alterações usuais, mas não obrigatórias", explica Daniela Maeyama, ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz, de São Paulo, e especialista em reprodução humana. São diversos fatores que contribuem para o aparecimento delas, como o peso e o preparo físico materno, o tamanho do bebê e o quanto a mulher engorda ao longo do pré-natal. confira as mais frequentes:

 

1- Dor nos seios
Esse incômodo é comum, principalmente nas primeiras semanas de gestação. Nessa fase, as mamas aumentam de volume. A razão? Elas estão se preparando para a amamentação. "Nem todas as grávidas se queixam disso. Para algumas, isso chega a ser imperceptível", observa a ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz, Daniela Maeyama. Além do tamanho, as mamas ainda sofrem outras alterações, não dolorosas, porém visíveis, como o escurecimento do mamilo e da auréola e o aumento da vascularização local.

2- Dor pélvica

Bastante comum, ela acontece por causa do crescimento e do enrijecimento do útero na gestação. "Na maioria das vezes, não está relacionada com nenhuma patologia, mas com as contrações que a mulher tem durante a gravidez", explica Mariano Tamura, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Essa dor tem intensidade e localização variável de acordo com o período da gravidez. "Aumenta principalmente quando o bebê inicia a descida da parte superior para a parte inferior da bacia", completa Daniela.
3- Dor lombar
O incômodo é consequência do peso da barriga, conforme a gestação avança. Para sustentar o corpo, é natural que a mulher mude seu eixo, projete o tórax para a frente e afaste as pernas. "É uma nova posição que o corpo encontra para se equilibrar. E isso força bastante os músculos da região lombar", explica Mariano Tamura. Ou seja, é uma dor totalmente previsível.

4- Dor na virilha e na raiz da coxa
"Aparecem geralmente por volta da 26ª semana e ocorre porque, nessa fase, o feto, o líquido amniótico e a placenta já somam um peso considerável sobre a pelve", explica a obstetra Daniela Maeyama. Essa sobrecarga comprime os músculos e com eles vasos e nervos. Na medida em que a gestação avança, portanto, o incômodo tende a aumentar. "Após a 34ª semana, o peso fica ainda maior. Nessa fase, os bebês chegam a ganhar 300 g a cada sete dias", completa a ginecologista do Hospital São Luiz. Como aliviar o problema? Com bastante repouso. Vale lançar mão também de alguns tipos específicos de cinta para gestantes. Nos casos mais intensos, o médico pode prescrever analgésicos.

5- Dor de cabeça
"O padrão hormonal da gravidez predispõe a mulher a ter sonolência e indisposição. Mas não a dor de cabeça propriamente dita", esclarece o obstetra Mariano Tamura. O que pode acontecer é o crescente inchaço, acúmulo de líquidos que afeta o todo o corpo. Por causa disso, a gestante fica mais predisposta a ter, por exemplo, a sinusite e, consequentemente, uma dor de cabeça. "A cefaleia pode ocorrer também nas primeiras semanas após a concepção devido à fase de adaptação hormonal e, sobretudo, nas mulheres com histórico de cefaleias frequentes e enxaqueca", completa Daniela. Ainda assim, fica um sinal de alerta: se for permanente e muito intensa, a dor deve ser pesquisada para se certificar de que não há nenhuma alteração mais grave.

6- Cólicas
As cólicas são normais e estão presentes em todos os momentos da gravidez. Numa primeira fase, ela está ligada ao crescimento do útero e depois às contrações. "Mas ela deve ser relatada ao médico sempre. São um sinal de alarme cólicas intensas em demasia e acompanhadas de sangramento vaginal", alerta o obstetra Mariano Tamura. Vale lembrar que, dependendo do tempo de gravidez, as cólicas podem sinalizar que está chegando a hora de o bebê nascer. "No final da gestação, é comum sentir cólicas leves e de curta duração, mas, se elas forem contínuas, durarem mais de 45 segundos e ritmadas (uma a cada três minutos), pode ser sinal de que a mulher está entrando em trabalho de parto", avisa Daniela Maeyama.

7- Dor nas articulações
As dores articulares estão associadas ao acúmulo de líquido nas articulações, comum nessa fase. E isso causa dor porque deixa alguns nervos comprimidos, além de prejudicar a mobilidade dos dedos. "Por isso, é muito comum a sensação de dor ou dormência nas extremidades do corpo, muito frequente nas mãos e que pode até deixar a mulher mais atrapalhada", justifica Mariano Tamura.

8- Dores nas pernas
A gravidez sobrecarrega o corpo da mulher e, principalmente, seu sistema cardiovascular. E é ai que surgem os inchaços e as dores nas pernas. "A circulação fica mais lenta", explica a obstetra Daniela Maeyane. No calor, o inchaço fica mais evidente e o repouso traz um grande benefício. O que ajuda nessa fase: prática de uma atividade física, como a caminhada, o uso de meias elásticas de suave a média compressão, fisioterapia e drenagem linfática. "A ingestão de líquidos estimula o funcionamento dos rins e isso também colabora para a redução do inchaço", recomenda Daniela. Vale ainda evitar comidas salgadas.

9- Dores de estômago
Pense que na gestação, a cada dia que o bebê cresce, sobra menos espaço dentro de você. Por isso, é tão comum aquela sensação de estômago apertado. Nessa fase, também o sistema digestivo fica mais lento e 
assim a futura mamãe se sente cheia com uma quantidade menor de alimentos. A consequência são a azia e o refluxo. Para evitar isso, os médicos recomendam que a gestante coma pequenas quantidades em curtos intervalos de tempo. "Não se deite logo após uma refeição, especialmente à noite. Por questões mecânicas mesmo. Nessa posição, fica mais fácil a comida voltar", aconselha o ginecologista Mariano Tamura.

[bebe.abril]

quinta-feira, 13 de março de 2014

Adeus, chupeta e paninho!

Se está com sono, Yasmin, 18 meses, pede a chupeta. Quando fica ansiosa porque precisa ir para a escola ou se o irmão menor, Vinícius, 5 meses, ganha mais atenção, o bico de borracha entra novamente em cena. Todo esse apego deixa a mãe, a publicitária paulistana Raquel Silveira, 36 anos, preocupada. “Sempre questionei a necessidade desse acessório, principalmente depois que minha filha cresceu e soube que nem todas as crianças da classe dela usam”, conta. No meio do ano, Raquel re solveu esconder a chupeta para tirá-la da vida da fi lha de uma vez por todas, com a ideia de deixá-la mais independente. O tiro saiu pela culatra. “Percebi que, sem ela, Yasmin fica muito mais insegura e manhosa. Funciona como um apoio”, afirma a mãe.

Casos como o de Raquel são comuns, pois as mães ficam apreensivas ao notar que o filho criou uma relação de dependência com um objeto. O problema é que, na afobação de reverter o quadro, acabam tomando medidas que até prejudicam o desenvolvimento do pequeno. “A ansiedade dos pais interfere no equilíbrio emocional dos filhos, especialmente dos bebês. A família precisa entender e aceitar que é normal e saudável a ligação do bebê com um objeto externo ou mesmo com uma parte do próprio corpo. Ela acontece por uma necessidade da criança e independe da vontade dos adultos”, diz a psicóloga Cynthia Boscovich, de São Paulo.

A professora de dança Sonia Asensio, de São Paulo, sabe quanto isso é verdadeiro. Sua filha, Valentina, 18 meses, nunca deu bola para chupeta nem se apegou a um brinquedo específico. Mas, ao completar o primeiro ano, quando a mãe iniciou o desmame, começou a se ligar ao paninho que cobria a poltrona de amamentação. “Todos os dias, ela o pega, passa no rosto como se estivesse se acariciando e até dorme com ele”, conta a mãe. Ela liberou o objeto para a filha sem pensar duas vezes, pois concluiu que, pelo menos por enquanto, ele está ajudando no processo de retirada do peito.

Descubra o momento ideal

Mas até quando vai essa ligação? “A partir do segundo ano, muitas crianças desistem naturalmente desses apegos”, afirma Cynthia. Os sinais são redução no uso e desinteresse pelo objeto. “Nessa fase, o bebê está mais maduro e já consegue expressar suas carências de outras maneiras, comunicando-as em palavras, por exemplo”, explica a psicóloga Isabel Khan, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê.

É também nessa idade que a maioria das crianças amplia o círculo de convivência e nota se os amiguinhos e pessoas à sua volta começam a estranhar o fato de ela ainda usar chupeta ou andar com um paninho a tiracolo. Isso faz com que ela tome a iniciativa de deixálos de lado. “A chupeta é o que mais preocupa, pois, a partir do segundo ano, torna-se prejudicial à formação da face, à respiração, à dentição e à fala”, alerta a pediatra Raquel Quiles, médica assistente do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. Mesmo assim, emocionalmente, não dá para suprimi-la da vida do pequeno de uma hora para outra. E lembre: nunca faça essa retirada em momentos de instabilidade da criança ou da família, como a chegada de um irmão, a entrada na escola, uma mudança de casa, a morte de alguém querido ou conflito entre os pais.

Desse jeito, não!

Mesmo que seu filho tenha dado sinais de que não quer mais a chupeta ou o paninho, é preciso conduzir a transição com bom senso. “É errado, por exemplo, começar a chamar a chupeta de ‘caca’, se até recentemente ela era oferecida o tempo todo pelos próprios pais”, avisa Raquel. Esse desligamento deve ser gradual. Do contrário, gera muita ansiedade, pois o bebê de repente vai se sentir privado do único recurso que conhece para se acalmar. “Além disso, se ele não estiver realmente pronto para ficar sem aquele item que oferecia segurança, a tendência é que eleja outro objeto para transferir seu apego”, alerta Cynthia. Propor trocas e oferecer recompensas pelo eleito do seu filho também não funciona. Ricardo, 2 anos, é um exemplo disso. “No Natal passado, combinamos que eu daria um brinquedo a ele se jogasse a chupeta fora”, conta a mãe, a farmacêutica carioca Fernanda Mesquita, 32 anos. “No dia 25, pusemos o acordo em prática e, para sacramentá-lo, meu marido descartou a chupeta junto com ele”, lembra. “Foi uma festa, mas, quando chegou a hora de dormir, precisei pegar o carro e correr para uma farmácia 24 horas. Até hoje o bico de borracha é o amigo inseparável de Ricardo”, diz Fernanda.

A receita que dá certo

Para evitar cenas como essa, faça a retirada gradativamente. “Se o filho deixa o paninho de lado na hora de dormir, a mãe deve elogiá-lo e premiá-lo com uma de monstração qualquer de afeto”, ensina a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo. A compensação é uma linguagem que o pequeno entende e o ajuda a sentir-se seguro. “O desafio não é retirar o objeto, mas fazer com que a criança não precise dele”, afirma ela. Funciona também usar brincadeiras para mudar o foco do pequeno. Por exemplo, se com 2 anos ele ainda toma mamadeira antes de dormir, que tal servir dois copos de leite, um para você e outro para ele, e apostar quem fica com o maior bigode de espuminha?

A economista Paula Soares, 30 anos, de São Paulo, ficou atenta ao desenvolvimento emocional da filha, Clara, 2 anos, antes de guardar a gatinha de pelúcia que a menina sempre tinha nos braços. “Até 18 meses, qualquer coisa era razão para ela agarrar o brinquedo. Aí a Clara entrou na escolinha e, depois de seis meses, percebi que ela estava empolgada com o novo ambiente e os amigos”, conta. Foi en tão que Paula e o marido começaram a desviar a atenção de Clara para outras coisas. “Quando ela pedia o brinquedo, eu falava da escola e, aos poucos, minha pequena abandonou o bichinho.” O momento de Clara tinha chegado e tudo fluiu normalmente... como tem que ser para o filho se sentir seguro e amado.

Comemore os avanços, mas resista à tentação de se desfazer de imediato da chupeta ou do paninho esgarçado ao qual seu filho se ligou. Mesmo que ele passe um adeus, chupeta e paninho! bom período sem pedi-los, guarde-os fora de vista por dois ou três meses. Em situações que causam angústia ou quando não está suficientemente maduro para se despedir desses objetos, pode acontecer de o bebê voltar a solicitá-los depois de um tempo. Significa que eles ainda são uma fonte de segurança importante para ele.

Se você não consegue consolar o pequeno de outra maneira, restitua o eleito e prepare-se para tentar novamente dentro de alguns meses. Mas cuidado: nada de tomar você a iniciativa de oferecer a chupeta de volta em um momento em que a criança esteja chorosa ou insegura. “Não dá para transformar o objeto em uma saída fácil para fazer o bebê ficar quieto. Se o filho choraminga porque quer atenção, o ideal é conversar com ele, tentar descobrir o que o incomoda e dar o carinho de que ele necessita”, ensina Isabel.

Sinais de alerta
Em qualquer situação, ficar de olho nos sinais que o filho emite é o único jeito de saber se o objeto está cumprindo um papel positivo no desenvolvimento dele ou se é indício de alguma dificuldade. “Um bebê que lança mão deles o tempo inteiro, mesmo em um momento descontraído, como quando está brincando, provavelmente sente-se inseguro”, aponta Isabel. Embora não exista uma idade certa ou errada para tirar esses objetos queridos de circulação – cada pequeno tem o próprio ritmo –, demoras excessivas são preocupantes. “Uma criança com mais de 5 anos que ainda não conseguiu se desfazer da chupeta ou do paninho pode estar com algum problema mais sério, com ela ou com o ambiente”, diz Isabel. Nesses casos, um psicólogo infantil pode ajudar.

Para ajudar na despedida
O livro Tchau Chupeta (LeYa Brasil), lançado no Dia das Crianças, é mais uma criação do projeto Pequeno Cidadão. Ele foi inspirado na música que Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto fizeram para incentivar as crianças a largar a chupeta. Custa 29,90 reais.

[bebe.abril]

quarta-feira, 12 de março de 2014

Chegada do irmão


Uma verdadeira revolução acontece com a chegada do irmãozinho. Se antes o mais velho dominava o pedaço e era o centro das atenções, agora vai precisar compartilhar seus domínios e dividir tudo com o mais novo, inclusive o amor da mãe e do pai. Assim, é normal que, cedo ou tarde, ocorram brigas e explosões de ciúme. Mas a tendência natural é entrarem em entendimento. “É um aprendizado, sem dúvida, e começa em casa”, afirma Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Por sinal, aprender é algo constante na relação entre os irmãos. Afinal, mesmo sem perceber, eles estão o tempo inteiro trocando lições. O primeiro filho já tem conhecimento acumulado, uma vivência maior que pode passar

para o outro. O mais novo, por sua vez, vem mostrar novos limites para o mais velho, ensiná-lo que o espaço pode ser dividido. Nessa convivência, os dois vão descobrir que podem aproveitar (e muito) a vida juntos.
Para os pais, a principal recomendação é tomar cuidado para não tratar as crianças de modo diferenciado. Segundo a psicóloga Ana Kernkraut, devem ser evitadas frases como “Você é o mais velho, tem que entender” e “Ele é caçula, não compreende”. É necessário respeitar o espaço, mediar, mas sempre lidar com todos de modo semelhante. “Como membros da mesma família”, conclui a especialista.

terça-feira, 11 de março de 2014

As vacinas indispensáveis na gravidez e no pós-parto

É importante que a mulher esteja imunizada durante estes dois momentos, tanto para a saúde dela quanto para a do filho. Por isso, saiba quais as vacinas você precisa tomar

Os anticorpos, as células de defesa,  da mãe são transferidos ao feto durante a gestação e, após o nascimento, eles chegam ao bebê por meio da amamentação.  Assim, mesmo sem ter tomado injeções, seu filho estará protegido contra algumas doenças nos primeiros meses de vida. Apesar de o ideal ser se vacinar antes de engravidar, as imunizações também podem acontecer durante a gestação e no período imediatamente posterior ao parto.

Então, encontre a sua caderneta de vacinação e descubra, a seguir, quais são os imunizantes  que podem e devem ser tomados. Lembre-se de que estas vacinas devem ser tomadas apenas se mulher não foi imunizada previamente, não sabe se já foi vacinada, ou caso seja necessária uma dose de reforço.

Vacinas recomendadas para as grávidas
Tratam-se de compostos inativados, nos quais os micro-organismos estão mortos. “Neste caso, o risco para a gestante e para o bebê é zero”, afirma a infectologista Rosana Richtmann, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Tomar estas três vacinas é necessário para evitar problemas de saúde na gestante, no feto e também no recém-nascido.

- Influenza

Por que é importante: esta vacina é essencial, pois tanto a gripe comum como a gripe A são mais graves durante a gestação. “Isso ocorre porque toda a grávida tem o seu sistema imunológico mais fraco para não agredir os antígenos-- partículas capazes de deflagrar reações imunes-- próprios do feto. Assim, o organismo responde a infecções de forma mais lenta”, explica a ginecologista Nilma Antas Neves, presidente da Comissão Nacional de Vacinação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Em 2010, quando as gestantes ainda não estavam incluídas na campanha de vacinação contra a gripe, as grávidas representaram 24% das mortes devido ao H1N1. Já em 2011, ano em que passaram a participar da campanha, o número de óbitos de gestantes caiu para 7% do total, de acordo com o Ministério da Saúde. “Até mesmo a gripe normal pode causar problemas, pois há o risco de a doença desencadear um parto prematuro”, conta Richtmann.

Além disso, conforme mencionado anteriormente, ao herdar os anticorpos da mãe na gestação, o bebê já nasce mais protegido. “A gripe pode ser mais grave nos recém-nascidos justamente porque eles ainda não possuem os anticorpos contra a doença”, diz Richtmann.  Com a vacinação da grávida, o bebê, que só pode tomar a vacina da influenza a partir dos seis meses de vida, têm suas defesas fortalecidas para enfrentar a gripe.
Quando tomar: a Influenza pode ser tomada em qualquer fase da gestação, consiste em uma dose única e está disponível gratuitamente para as grávidas em postos públicos de vacinação. Ela é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica a ovo.

- Hepatite B

Por que é importante: a hepatite B costuma não apresentar sintomas, mas as manifestações mais comuns são vômitos, dores musculares, náuseas e mal-estar, entre outros. A doença gera a inflamação do fígado e a maioria das pessoas se cura depois de duas semanas. Porém, entre 5% e 10% dos adultos ela se torna crônica e pode evoluir para cirrose ou câncer no fígado. Estima-se que 350 milhões de pessoas no mundo tem a hepatite B crônica e não sabem. Caso a mulher contraia o vírus durante a gravidez, a situação se complica, pois a transmissão para o bebê pode ocorrer durante a gestação ou, principalmente, no momento do parto. “É bom que a mãe esteja imunizada, caso contrário,  existe risco de transmitir a doença ao filho na hora da passagem dele pelo canal do parto”, esclarece o pediatra Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Em recém-nascidos, as chances de a hepatite B evoluir para uma hepatite crônica é de 90%, de acordo com o Ministério da Saúde, por isso os bebês recebem a primeira dose contra hepatite B logo após nascerem.
Quando tomar: a mulher pode receber esta vacina a partir do segundo trimestre de gravidez e são três doses. Esta vacina está disponível em postos públicos de vacinação para as gestantes e não é preciso reforço.

- Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) ou dupla do tipo adulto (dT)

Por que é importante: a vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) proporciona imunidade contra difteria, tétano e coqueluche, enquanto a dupla tipo adulto (dT) protege apenas contra as duas primeiras doenças. Apenas a dT está disponível no sistema público de saúde. “Porém, o ideal é tomar a vacina tríplice bacteriana acelular”, recomenda Richtmann.

Isto porque a coqueluche, que está incluída na dTpa, é uma doença muito grave em bebês. Ela é causada por uma bactéria que promove um quadro inflamatório nas vias respiratórias e, em situações extremas, pode ocasionar a morte por insuficiência respiratória.

Segundo a UNICEF, cerca de 300 mil crianças morrem todos os anos devido à coqueluche. “Quem está suscetível a quadros mais graves são menores de 6 meses e estudos nos mostram que em 70% dos quadros a transmissão ocorre dentro de casa, sendo o transmissor da doença, na maioria das vezes, a mãe. Portanto, é preciso blindar a mãe para resguardar o recém-nascido”, aponta Richtmann.

Já o tétano também pode ser muito grave tanto nas mães quanto nos bebês que acabaram de nascer, configurando um quadro de tétano neonatal. A bactéria por trás do problema produz uma toxina que paralisa os músculos, inclusive os da respiração, levando a uma parada respiratória e, consequentemente, à morte. “O bebê pode contrair tétano neonatal principalmente através de uma infecção umbilical, por falta de higiene nesta região, mas é uma doença rara”, afirma Neves.

Finalmente, a difteria é uma doença bacteriana que, em casos extremos, pode provocar um edema importante no pescoço, levando à asfixia, o que é especialmente perigoso em recém-nascidos. Como o pequeno só poderá ser vacinado contra estas doenças aos 2 meses de vida, é importante que a mãe o proteja por tabela, ao se imunizar.

Quando tomar: “A mulher que tomou a vacina há mais de cinco anos e pretende engravidar, está grávida ou teve um filho recentemente deve se imunizar. As grávidas podem tomar a vacina a partir da 20ª semana”, explica a pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) do Rio de Janeiro. Caso a mulher já tenha sido vacinada, é necessária apenas uma dose de reforço, mas se ela nunca tomou esta vacina, será preciso tomar três doses.


Vacinas liberadas para grávidas em casos específicos
Os riscos de contrair algumas doenças não são tão altos para a maioria das gestantes, por isso elas não são indicadas a todas elas. Saiba se você precisa se imunizar

- Hepatite A

Por que é importante: esta vacina não é prioritária para a gestante. Em adultos, a hepatite A gera uma inflamação no fígado e pode apresentar sintomas como dores musculares, náuseas, vômito, cansaço e mal-estar. Porém, em alguns casos, ela pode ficar mais grave.  “Há o risco de a hepatite A se apresentar de forma fulminante, em que o fígado vai a falência rapidamente”, conta Neves. Em gestantes,  a encrenca é mais séria. “Há maiores probabilidades de uma hepatite mais grave e também de complicações para o feto”, conta Ballalai.

Recomendação: a vacina é indicada para grávidas em condições específicas. “É o caso de uma mulher que vai viajar para um local em que a estrutura sanitária não é boa”, exemplifica Richtmann. Como a hepatite é transmitida por meio de alimentos ou água contaminados, a recomendação é que gestantes que trabalham em creches, na área do saneamento básico ou com alimentos, como cozinheiras ou nutricionistas, também se protejam.

Quando tomar: Esta vacina pode ser tomada a partir do segundo trimestre de gestação e é aplicada em duas doses. Não é preciso um reforço e a vacina não está disponível em postos públicos, somente em clínicas privadas de imunização.

- Meningocócica conjugada

Por que é importante: a meningite pode ser causada por vírus ou bactéria, esta última é mais grave e se divide em pneumocócica e meningocócica. As vacinas contra a segunda são recomendadas para adultos saudáveis. Como a meningocócica se ramifica em A, B, C, W e Y existem dois tipos de vacinas, uma apenas para o C, que representa 80% dos casos de meningocócicas, e outra que abrange A, C, W e Y. Ainda não há imunização para o tipo B.A doença pode levar à paralisia, perda da visão, audição e funções cerebrais.

Recomendação: esta vacina é indicada para as gestantes somente em casos de surtos de meningite. A grávida que nunca tomou a vacina ou foi imunizada há mais de cinco anos deve receber a aplicação, que consiste em apenas uma dose e está disponível em clínicas privadas de imunização.

Quando tomar: durante a gestação, quando for detectado o surto do problema.




Vacinas proibidas para as grávidas
Fique alerta em relação às vacinas que não são recomendadas para as grávidas, pois são compostas de micro-organismos enfraquecidos, mas que ainda estão vivos. Portanto, há o risco de o feto contrair a doença para a qual a grávida está se imunizando. “Na prática, este risco é teórico, temos várias gestantes que tomaram a tríplice viral, só em São Paulo foram mais de seis mil mulheres, e nenhum caso de contaminação”, conta Ballalai.

As vacinas feitas com micro-organismos atenuados e que, por isso, devem ser evitadas por gestantes são: Tríplice Viral, Varicela e Febre Amarela. A última pode ser aplicada na grávida quando os riscos de adquirir a doença superam os riscos potenciais da vacinação. Como  exemplo, podemos citar as viagens a locais de risco de contaminação. A decisão de realizar a vacinação cabe ao médico.

A vacina de HPV também é contraindicada para as gestantes. “Trata-se de um imunizante seguro, pois não contém o vírus atenuado. Mas, ela não é recomendada porque não temos experiências com o uso dela na gravidez”, explica Richtmann.

Caso você tenha tomado algumas destas vacinas durante a gravidez, a recomendação é informar ao seu médico. “Assim, na hora do ultrassom este profissional ficará mais atento a detalhes relacionados à vacina”, diz Richtmann.



Vacinas para mulheres no pós-parto
Caso a mulher não tenha se imunizado na gestação ou antes de engravidar, deve tomar essa providência logo após o nascimento do bebê. Nesta fase, você também consegue transferir anticorpos ao seu filho por meio da amamentação.

- Hepatite B

Por que é importante: seu bebê será imunizado contra a Hepatite B assim que nascer, porém, caso você ainda não tenha tomado a vacina, ela continua importante para a sua saúde e também para evitar problemas em uma próxima gestação. Em recém-nascidos, as chances de a hepatite B evoluir para um quadro crônico é de 90%,de acordo com o Ministério da Saúde, por isso os bebês recebem a primeira dose contra hepatite B logo após nascerem.

Quando tomar: caso você tenha iniciado a vacinação ainda grávida, provavelmente terá que tomar a última dose após o nascimento do seu filho. Esta vacina está disponível em postos públicos de vacinação para mulheres de até 29 anos ou em clínicas de imunização privadas, após esta idade. São três doses da vacina e não é preciso reforço.

- Tríplice Viral 

Por que é importante: caso você não tenha tomado esta vacina antes da gravidez, vale a pena se prevenir após o nascimento de seu filho.  A tríplice viral proporciona proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. “Esta última doença pode ser muito grave durante a gestação. Há o risco de o feto desenvolver a rubéola congênita que pode causar abortamento, morte intrauterina ou malformação”, afirma Neves. Portanto, para evitar estresse na espera do próximo filho, previna-se.

Esta vacina também é importante para a saúde da mãe, especialmente aquela que pretende viajar. O sarampo chegou a ser extinto no Brasil durante três anos, entre 2007 e 2009, porém na Europa passaram a ocorrer casos e brasileiros que viajaram para lá contraíram a doença.  Além das consequências mais simples, o sarampo, que é causado por um vírus, pode levar a uma infecção no sistema nervoso central e resultar em problemas respiratórios, como uma pneumonia severa.

De acordo com a SBIm, mulheres nascidas após 1962 devem receber uma ou duas doses (com intervalo mínimo de 30 dias) de acordo com o histórico vacinal de cada uma, de modo que todas recebam no mínimo duas doses na vida. Esta vacina é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica em decorrência do ovo e para imunodeprimidos. O imunizante está disponível em postos públicos de vacinação.

Quando tomar: após o parto, caso não tenha se vacinado antes de engravidar

- Varicela
Por que é importante: esta é para mamães que nunca tiveram catapora, o nome popular do problema. A varicela costuma ser mais grave em adultos do que em crianças. De acordo com a UNICEF a taxa de mortalidade por catapora em adultos é cerca de 30 a 40 vezes maior do que em crianças de 5 a 9 anos. Como é uma doença viral que deflagra de 300 a 500 pequenas lesões na pele, cria-se uma porta de entrada para as bactérias que podem transitar pela corrente sanguínea e chegar ao sistema nervoso central, desencadeando infecções no pulmão e no cérebro.

Caso você pretenda engravidar novamente, também é importante estar imunizada contra a doença. “A varicela durante a gestação pode passar para o feto e ter efeitos gravíssimos como malformação congênita, abortamento e morte intrauterina”, conta Neves. Esta vacina é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica em decorrência do ovo e imunodeprimidos.  A vacina está disponível apenas em clinicas privadas de imunização.  

Quando tomar: depois de dar à luz.

- Influenza

Por que é importante: como a criança só pode tomar a vacina contra a influenza a partir dos seis meses, uma mãe imunizada poderá transferir anticorpos ao filho por meio da amamentação.  É recomendada uma dose anual da Influenza, que está disponível apenas em clínicas privadas de imunização. Ela é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica em decorrência do ovo.

Quando tomar: a mãe que não se vacinou durante os nove meses precisa se imunizar após o nascimento do bebê. Assim, diminuem os riscos de a mulher transmitir tanto a gripe comum como a gripe A ao filho.  “A doença pode ser mais grave nos recém-nascidos justamente porque eles ainda não possuem os anticorpos”, diz Richtmann.

- Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) ou dupla do tipo adulto (dT)

Por que é importante: Lembre-se de que, conforme mencionamos anteriormente, o objetivo é tornar o adulto imune contra tétano, coqueluche e difteria, doenças potencialmente perigosas, se transmitidas ao recém-nascido. Se a mulher já tiver sido vacinada, é necessária apenas uma dose de reforço, caso contrário, serão necessárias três doses.

- Hepatite A

Por que é importante: em adultos, a hepatite A gera uma inflamação no fígado e pode apresentar sintomas como dores musculares, náuseas, vômito, cansaço e mal-estar. Porém, em alguns casos ela pode ficar mais grave.  “Há o risco da hepatite A evoluir para um quadro fulminante em que o fígado vai a falência rapidamente”, conta Neves. São necessárias duas doses da vacina, mas não é preciso um reforço. A vacina não está disponível em postos públicos, somente em clínicas privadas de imunização.

- HPV
Por que é importante: a vacina de HPV é recomendada para mulheres até 25 anos. Existem dois tipos: a bivalente e a quadrivalente, que é a mais recomendada, pois contempla os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18, enquanto a outra lida apenas com os dois últimos. O HPV pode causar verrugas genitais e alguns tipos, especialmente o 16 e 18, aumentam as chances do câncer de colo de útero. Devem ser tomadas três doses e a vacina está disponível apenas em clínicas privadas de imunização.

Quando tomar: depois de dar à luz.

- Meningocócica conjugada

Por que é importante: a meningite pode ser causada por vírus ou bactéria, esta última é mais grave e se divide em pneumocócica e meningocócica. As vacinas contra a segunda são recomendadas para adultos saudáveis. Como a meningocócica se ramifica em A, B, C, W e Y existem dois tipos de vacinas, uma apenas para o C, que representa 80% dos casos de meningocócicas, e outra que abrange A, C, W e Y, ainda não há imunização para o B. A doença pode levar a paralisia, perda da visão, audição e funções cerebrais. É aplicada uma dose e a vacina está disponível apenas em clinicas privadas de imunização.

Quando tomar: depois de dar à luz.

Vacina proibida para as lactantes

- Febre Amarela
A vacina contra a febre amarela é a única que deve ser evitada pelas mães que amamentam crianças de até seis meses de vida. “Foi demonstrado que o vírus da vacina é transmitido pelo leite materno, foram dois casos de crianças contaminadas desta forma", alerta Ballalai. Esta vacina é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica em decorrência do ovo. Ela também não é indicada para imunodeprimidos, exceto quando os riscos de adquirir a doença superam os perigos potenciais da vacinação.

[bebe.abril]

segunda-feira, 10 de março de 2014

Apresentação dos primeiros alimentos ao bebê

Depois de um longo período em que o pequeno se alimenta apenas de leite materno, saiba como incorporar as papinhas, as sopinhas e as frutas ao cardápio

Aos 6 meses, uma grande mudança acontece na vida do pequeno: além do leite materno, ele passa a saborear papinhas, sopas e frutas. Essa adaptação nem sempre é fácil. Algumas crianças, simplesmente, não aceitam a novidade. Para ajudar mãe e filho nessa transição, reunimos dicas preciosas de nutricionistas e pediatras. A ideia é tornar a hora da refeição um momento prazeroso e cheio de descobertas para a garotada. Bom apetite!




1. Hábitos alimentares saudáveis começam pela amamentação


Até os 6 meses, nada de água, chás e sucos, somente leite do peito. Além de nutrir, imunizar e estreitar laços afetivos, o alimento materno deixa lições que a criança guarda para o resto da vida. Uma das mais importantes delas é a chamada autorregulação. Ao decidir quanto e quando vai mamar, o recém-nascido aprende a lidar com a saciedade, o que reduz e muito o risco de obesidade no futuro. Aliás, um deslize bastante comum nessa fase é associar sempre o choro à fome. Dar o peito toda vez que o pequeno abre o berreiro pode fazer com que ele recorra à comida a cada frustração da vida. Nessa fase, seu filho também já começa a ter contato com os diferentes sabores dos alimentos. Isso acontece porque o gosto do leite muda conforme a dieta da mãe. Portanto, é absolutamente recomendável que a família siga uma alimentação balanceada, fugindo da monotonia.

2. Nada de substituir o leite materno pelo leite de vaca integral

Na impossibilidade de amamentar, os pais devem fornecer fórmulas infantis prescritas pelo pediatra. Isso vale especialmente para o primeiro ano de vida. Nada de substituir o leite materno pelo leite de vaca integral, o que pode comprometer o desenvolvimento da criança, deixando sequelas. De acordo com os especialistas, o consumo da bebida láctea de origem animal nessa fase pode levar à sobrecarga renal devido ao excesso de proteína e sódio. Sem contar no baixo fornecimento de ácidos graxos essenciais, ferro, zinco e algumas vitaminas. Em outras palavras, há o risco de problemas cognitivos, anemia, prejuízo ao crescimento, falta de proteção contra infecções e mais vulnerabilidade a doenças crônicas.

3. Ao preparar a papinha, não use o liquidificador

O sexto mês marca uma mudança importante na dieta de uma criança. É o período em que os pais devem introduzir as papinhas na rotina alimentar dos filhos. Tanto salgadas como doces. Serão, em média, quatro mamadas para duas papas. Aqui uma dica importante é jamais usar o liquidificador, que tritura sem piedade qualquer ingrediente. Os pediatras seguem uma receita clássica: a papinha deve ser pastosa, mas não totalmente liquefeita. Em outras palavras, você terá de peneirar, ralar, raspar, espremer ou amassar os alimentos nessa primeira etapa. Não existe restrição em relação às frutas a serem usadas, embora muitos evitem as mais ácidas - preferem a laranja-lima, por exemplo. Seja como for, a principal preocupação é que elas sejam frescas, in natura e, de preferência, da estação.

4. A primeira papa salgada deve ser oferecida junto com a doce

Se a criança não aceitar bem a novidade, complemente a refeição com o leite materno. Entre os grupos de alimentos que podem ser cozidos, peneirados e amassados, estão as principais categorias: cereais ou tubérculos, leguminosas, carne (vaca e frango) e hortaliças (verduras e legumes). O óleo vegetal deve ser usado em menor quantidade. As sopinhas podem ser preparadas, por exemplo, com batata, cenoura, caldo de músculo, cebola, sal e azeite. Pode-se também incluir outros legumes, folhas e carnes. Fica o recado: é imprescindível usar alimentos frescos e tomar cuidado com o excesso de sal, além de evitar temperos fortes, como a pimenta.

5. Ofereça água e suco no copo

Nessa fase, o bebê também deve começar a tomar água e sucos naturais, sem a adição de açúcar. Procure oferecer, no máximo, 100 mililitros por dia. Sempre no copo para não ameaçar a amamentação com a confusão de bicos. Os sucos, principalmente os de frutas cítricas, devem ser oferecidos após as refeições para melhorar a absorção do ferro, presente, por exemplo, na carne vermelha, no feijão e nas folhas verde-escuras. Jamais substitua os alimentos sólidos por bebidas. Para matar a sede, dê a água e não o suco.

6. Use vários tipos de peneira

Depois que o novo cardápio já entrou na rotina alimentar da criança, suas refeições se resumirão a três mamadas e três papinhas, duas salgadas e uma doce, além dos sucos e da água. Para graduar a consistência das sopinhas, vale a pena investir em diferentes peneiras. A ideia é usar telas com entrançamentos cada vez menos estreitos, permitindo que os alimentos fiquem paulatinamente mais endurecidos.

7. Nada de festa se o pequeno raspou o prato

A introdução dos alimentos sólidos pode gerar estranhamento e estresse na criança. Leve isso em consideração ao colocá-la no cadeirão. Com o tempo, ela deve se render aos prazeres da comida, mas, até lá, tenha bastante paciência. Fuja dos modelos de recompensa e de ameaça. Quer dizer, nada de festa se raspou o prato ou broncas porque cuspiu a comida. O ambiente deve ser o mais tranquilo e aconchegante possível na hora da refeição. O cansaço, a irritação e o nervosismo dos pais interferem no humor do bebê. Adotar horários fixos também é importante, assim o organismo do pequeno vai se acostumando à rotina.

8. Aos 9 meses, separe os alimentos

Do nono mês até o primeiro ano de vida, o bebê deve passar gradativamente para a refeição da família, com ajuste apenas na consistência dos alimentos. Não é preciso lembrar a importância dos hábitos alimentares da casa na dieta dessa criança. Se os pais comem lasanha congelada, sanduíches e pizza vários dias por semana, a criança terá dificuldades para criar uma dieta saudável. O cardápio deve ter alimentos variados, coloridos e frescos. A monotonia é outro risco que deve ser evitado, sob pena de o pequeno se tornar seletivo demais. Uma dica valiosa é separar os alimentos para que ele sinta o gosto de cada um. Se possível, prepare refeições que encham os olhos. Vale, inclusive, optar por pratos infantis, que já vêm com divisórias. Procure também deixar seu filho apreciar o aroma da comida, feita na hora. Tudo isso vai despertar os sentidos dele. Ah, a reunião de toda a família à mesa é mais um fator a favor da alimentação saudável.

[Fontes:
 Médica Roseli Oselka Saccardo Sarni, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria;
Nutricionista Susy Graff, especialista em nutrição clínica e responsável pelo site Nutrikids.]

quinta-feira, 6 de março de 2014

O que fazer quando a criança engasga

Primeira coisa a fazer: avalie rápido a situação

Se o bebê não consegue chorar nem tossir, as vias aéreas podem estar fechadas, e você vai precisar ajudá-lo a voltar a respirar. Ele pode estar fazendo ruídos estranhos ou abrindo a boca sem emitir nenhum som. A pele pode começar a ficar muito vermelha, azulada ou arroxeada.
Se o bebê estiver tossindo ou com ânsia de vômito, é boa notícia: as vias aéreas não estão totalmente bloqueadas. Deixe seu filho tossir. Tossir é o método mais eficaz de desimpedir as vias aéreas.
Não tente retirar o objeto com suas mãos, a menos que você consiga vê-lo ao abrir a boca da criança.
Caso o bebê não consiga se desengasgar, grite e peça ajuda a alguém para levá-los ao pronto-socorro, e comece a fazer as tentativas de desengasgo (ver abaixo). Se estiver sozinha em casa com o bebê, tente desengasgá-lo por dois minutos e então telefone para alguém para pedir ajuda.
Se seu filho parece estar engasgado mas você não viu se ele colocou alguma coisa na boca, e ele não estava comendo, leve-o ao hospital imediatamente. Ele pode estar com uma reação alérgica a algum alimento ou uma picada de inseto, por exemplo, ou com alguma infecção, como a laringite.

Segunda coisa a fazer: batidas nas costas e compressões no peito


Se você acha que seu filho está mesmo com alguma coisa presa na garganta, sente-se e o coloque de barriga para baixo sobre suas coxas, com a cabeça voltada para os seus joelhos. Segure-o por baixo, mantendo o antebraço sob a barriga dele e usando sua mão para sustentar a cabeça e o pescoço. Deixe que a cabeça do bebê fique mais baixa que o resto do corpo. Com a outra mão, dê cinco tapas firmes, mas não com muita força, nas costas da criança, entre as omoplatas.

Em seguida, coloque essa mão livre na cabeça do bebê, com o antebraço sobre as costas dela, e vire-a devagar, ainda mantendo a cabeça mais baixa que o corpo, na mesma posição, no seu colo. Continue segurando, para dar início às compressões no peito.

Imagine uma linha ligando os dois mamilos do bebê e posicione dois ou três dedos, juntos, um pouco abaixo dessa linha, no centro do tórax dele. Faça uma pressão rápida, para que o peito afunde cerca de 2 cm, e deixe que ele volte à posição normal. Repita cinco vezes, sem movimentos muito bruscos.

Continue alternando os cinco tapas nas costas e as cinco pressões no peito até que o objeto seja eliminado, ou que o bebê comece a tossir. Se ele começar a tossir, deixe que ele elimine o objeto sozinho.


Se o bebê desmaiar, será necessário fazer respiração boca-a-boca. Coloque-o sobre uma superfície firme e incline a cabeça dele para trás, erguendo um pouco o queixo, para abrir as vias aéreas. Dependendo do tamanho do bebê e de quem faz a respiração, pode-se colocar a boca sobre o nariz e a boca do bebê ao mesmo tempo e soprar, ou então cobrir só a boca do bebê e tampar o nariz dele com as mãos.

Procure selar sua boca na dele para que o ar não escape, e sopre com vigor. O ideal é que você sinta o peito da criança inchar com o ar lançado para os pulmões dela. Deixe o peito voltar à posição normal e sopre de novo. Mesmo que o peito do bebê não se encha, continue fazendo a respiração.



Alterne duas respirações e 30 compressões rápidas no peito (ao ritmo de 100 compressões por minuto), com os dedos no centro do tórax, até chegar ao pronto-socorro ou conseguir ajuda especializada. Durante a operação, abra a boca do bebê para ver se consegue enxergar o objeto. Se conseguir, retire-o com os dedos.

Mesmo que o bebê se recupere completamente do episódio, leve-o ao médico no mesmo dia.

Devo tomar cuidado com alguma coisa especial?

Segundo os especialistas, os maiores causadores de episódios de engasgo são:

- Caroço de feijão, de arroz e pedaços de fruta, como maçã (mas isso não quer dizer que você não deva dar esses alimentos ao bebê -- apenas mantenha-se atenta enquanto ele come)
- Peças pequenas que se desprendem de brinquedos
- Bolinhas de gude
- Pilhas e baterias
- Tampas de caneta
- Moedas e botões
- Parafusos
- Balas
Como desengasgar crianças maiores?

Em crianças que já ficam em pé, a manobra é um pouco diferente: 

- Mantenha a criança em pé e posicione-se atrás dela como se fosse abraçá-la pelas costas.
- Junte suas duas mãos, uma por cima da outra, abraçando a criança, e coloque-as na região logo acima do umbigo.
- Faça pressões rápidas na barriga para dentro e para cima, por seis a dez vezes.

Essa técnica também funciona para desengasgar adultos.

[babycenter]