sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cólicas em Bebês - parte 3


Bebê recém-nascido no colo da mãe - Foto: Kati Molin/Shutterstock.com
“Já consegui convencer vocês que nosso bebê nasce antes do que devia (prematuro), que precisaria de pelo menos mais 9 meses de gestação para nascer "mais pronto", que demora a se desenvolver e precisa da presença mais constante de seus pais e familiares para que esse processo ocorra da forma mais satisfatória e completa possível?”
Mesmo que vocês não tenham toda essa certeza, vamos a mais fatos para que se comece a compreender um novo conceito sobre cólicas?

Respiração

Na respiração, em processo normalmente automático, o aparelho respiratório primeiro inspira ar (rico em oxigênio) do exterior e o encaminha por vários dutos sequenciais para os pulmões, onde o oxigênio é transferido para o sangue e onde o sangue transfere o gás carbônico para os pulmões; logo em seguida expira para o exterior o ar com o gás carbônico, e o ciclo recomeça. O aparelho circulatório, através do sangue, leva o oxigênio a todas as células do corpo, delas retira o gás carbônico e o leva aos pulmões para ser expirado.
Dentro do útero, a respiração (troca de gás carbônico por oxigênio) é feita toda pelo cordão umbilical (2 artérias e 1 veia umbilicais) e pela placenta. Dentro do útero os pulmões do nosso bebê estão imersos em água (líquido amniótico) e não podem “respirar” (inspirar e/ou expirar).
Aí o bebê vai nascer. Assim que ele sai ou é retirado do útero materno (parto via vaginal – normal ou fórceps - ou via abdominal – cesariana) o bebê ainda está ligado à sua mãe através do cordão umbilical. Nossa recomendação é aguardar para clampear (cortar) o cordão até que ele pare de pulsar (clampeamento tardio de cordão), que deve durar no máximo 2 a 3 minutos após o parto.
Enquanto pulsa, o cordão ainda está levando oxigênio para o bebê e aguardando que ele assuma sua própria respiração através dos pulmões que não “trabalhavam” no útero. Assim que o cordão umbilical for cortado, o nosso bebê terá que respirar por conta própria, em um processo totalmente novo.

Alimentação

Enquanto dentro do útero, todos os nutrientes que o bebê necessita para crescer de forma adequada e se preparar para o nascimento são enviados constantemente para ele... adivinhem!!! Isso mesmo. Olha ele aí de novo: o cordão umbilical.
Dentro do útero, nesse momento, o sistema digestório está inativo e é estéril, sem nenhuma bactéria sem flora intestinal e ele não evacua dentro do útero. Se isso acontecer é um sinal de alerta.
Assim como a respiração é constante, a oferta de alimentos para o bebê é contínua, ou seja, sem que ele peça para comer. Isso é quase... uma livre-demanda, sem a demanda, não é mesmo?
Essa chegada constante do alimento ao bebê é fundamental para seu crescimento, para que ele não tenha hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) e não corra risco de morte. 
Assim, mais uma vez, nossa recomendação é aguardar para clampear (cortar) o cordão só quando ele parar de pulsar (clampeamento tardio de cordão), que costuma acontecer no máximo 2 a 3 minutos após o parto.
Enquanto pulsa, o cordão ainda está levando nutrientes para o bebê e aguardando que ele assuma sua própria alimentação através do sistema digestório que não “trabalhava” no útero. Assim que o cordão umbilical for cortado, o nosso bebê terá que se alimentar por conta própria, em um processo totalmente novo.

Movimentação

Enquanto dentro do útero, o bebê “passeia” com sua mamãe e vai com ela onde quer que ela vá. O bebê está sempre acompanhado e acompanhando sua mãe. Em momento algum, esse bebê fica sozinho.
Ele é acompanhado pelo som do coração, da respiração, do intestino e da voz de sua mãe e de seu pai, além do som do... de novo??? Pois é, tá ficando monótono: o cordão umbilical.
E o bebê responde aos movimentos de sua mãe com a sua própria movimentação. A falta de movimentos fetais pode ser mais um sinal de alerta em relação a riscos desse bebê.
Assim como a movimentação é constante, os sons são constantes, mesmo quando cessa a movimentação e a mamãe está deitada dormindo, o embalar esse bebê faz parte de sua rotina dia e noite. Isso é quase... um colo lá dentro, não é mesmo?
Assim, mais uma vez, nossa recomendação é aguardar para clampear (cortar) o cordão até que ele pare de pulsar (clampeamento tardio de cordão), que deve durar no máximo 2 a 3 minutos após o parto.
Enquanto pulsa, o cordão ainda está garantindo para o bebê um pouco mais de “colo” antes de o bebê perde seus limites físicos (o útero da mamãe) e ter que enfrentar esse mundo sem limites.

A prematuridade

O bebê nasce e tem que aprender, de repente, a respirar, se alimentar e viver sem sua mãe sempre por perto, mesmo sem estar preparado para isso, indefeso.
Emocionalmente, fisicamente, psicologicamente, funcionalmente o bebê-humano é, entre os animais o que nasce mais despreparado e, mesmo assim, é o único que é afastado da mãe logo que nasce e o que encontra mais resistência social para que seja amamentado, carregado e pego no colo, receba o calor que precisa para que suas “funções funcionem”.
E essas transformações levam tempo. Aprender a mamar, a pega adequada, a forma de alimentação complementar, a digestão adequada a cada uma dessas fases. Aprender a respirar adequadamente. Aprender a viver de forma mais independente pode levar mais tempo, meses até.
Acho legal uma ideia que li:
“Nascimento não é apenas o início da vida da pessoa, mas implica também o fim da gestação. O nascimento representa alterações funcionais complexas e muito importantes que servem para preparar o recém-nascido para a passagem sobre a ponte entre a gestação no útero e gestação que continuará fora do útero.” (Montagu, 1986).
E é com esse novo conceito de “gestação fora do útero” que acabo essa nossa conversa dessa semana. E acompanhando aqui, aos poucos, vou tentar fazer o elo entre essas “novidades” e as cólicas do bebê.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cólicas em Bebês - parte 2




Nesse “capítulo” e no próximo, quero levar vocês comigo em uma viagem muito diferente, mas muito legal (pelo menos, em minha opinião) e gostaria que vocês pudessem, por algumas linhas, ter a mente aberta para novas informações e sensações.

Depois disso, poderemos  ter novas “ferramentas” e novos caminhos a trilhar para compreender não só as cólicas, mas o choro e o desenvolvimento dos nossos bebês e não teremos mais medos, preocupações ou noites sem sono e sim uma fase linda da vida da família, da qual teremos saudades.

Vamos lá?

Todo ser humano nasce prematuro

Bebê logo após trabalho de parto recebendo cuidados médicos - Reynardt/Shutterstock.com
Muitos estudos e muita observação mostra que independente de nosso tempo de gestação (9 meses – quase 270 dias), se de termo ou não, todas as crianças da “raça humana” nascem antes do tempo, quer seja avaliada a questão clínica, física, social ou psicológica.

Após uma gestação inteira de preparação, a criança quando nasce não sabe se alimentar sozinha, não enxerga adequadamente, escuta mal, não fala, não anda, não senta, não sustenta nem a cabeça, não se relaciona com os seus semelhantes e leva muito tempo para atingir um patamar próximo ao do recém-nascido de qualquer outra raça do reino animal. Isso significa que, se esse bebê fosse deixado para se virar por conta própria e não tivesse a sorte de ser um Tarzan (o rei da selva -1918) ou um Mowgli (o menino lobo), ele certamente não sobreviveria.

Isso mostra sua necessidade e até dependência dos adultos da sua família para seus cuidados, alguns dos quais só pode ser suprido pela mãe.

Mas, se por um lado, ser prematuro significa que o bebê não está pronto ao nascer, como grande parte dos animais que dependem de habilidades para sobreviver desde muito cedo, por outro lado, ele está aberto para se desenvolver de forma única, podendo ser mais flexível em suas adaptações e tem constante necessidade e capacidade de inovar e aprender. E esse meio ambiente influencia diretamente o desenvolvimento da criança.

Com poucas horas de vida, boa parte dos animais está preparada para andar, correr, buscar seu alimento, se esconder e se defender. Um “bebê da raça humana” pode levar anos para se desenvolver a esse nível. Essa é uma das razões pelas quais a infância é tão longa até chegarmos à adolescência.

Somos inteligentes e racionais

Ou quase isso.

Vamos a uma sessão você sabia?

- Você sabia que um bebê nasce com um cérebro de 25% do tamanho do cérebro do ser humano adulto?

Ao nascer, nosso cérebro pesa cerca de 350 gramas (no adulto chega a 1.400 gramas) e tem um volume 4 vezes menor do que o do adulto. Após um mês, ele pesa 420 gramas, ao final de um ano 700 gramas (metade do tamanho do adulto).

Passamos apenas 2% de nosso tempo de vida na infância, mas 80% de nosso cérebro cresce até os 2 anos de idade e 90% aos 3 anos.

Essa lentidão do desenvolvimento do cérebro e do nosso desenvolvimento (comparada ao de outros animais) pode ser vista como uma vantagem porque possibilita a influência do meio em que ele vive em seu desenvolvimento ao longo da vida, permitindo uma maior capacidade de aprendizagem e uma adaptação ao meio. Mas, isso também mostra uma maior necessidade da presença de outros seres humanos, de preferência da família e, sempre que possível dos pais, nesse processo.

- Você sabia que um macaco nasce com 50% do tamanho do cérebro do macaco adulto?

Isso mostra que um macaco recém-nascido (após 237 dias de gestação se for um chimpanzé) já nasce com condições de um desenvolvimento e uma adaptação muito mais rápida que a do bebê humano, até porque precisa disso para sobreviver em seu meio ambiente natural.

Estudos de 1944, por Adolf Portmann (zoólogo - 1897-1982) já mostravam que para um bebê humano recém-nascido atingir a fase do desenvolvimento de um macaco recém-nascido, a gestação teria que ter 21 meses. Será que alguma mãe estaria disposta a esperar assim?

Outro autor (Bostok) dizia que para que um recém-nascido pudesse “pensar em se cuidar sozinho”, tentando escapar de perigos por conta própria, ele precisaria pelo menos engatinhar (ficar “quadrúpede”) e isso acontece por volta de 266 dias após seu nascimento (9 meses), ou seja, o mesmo tempo de uma gestação dentro do útero.

Assim os macacos, assim como outros “animais irracionais” nascem prematuros, mas permanecem imaturos por menos tempos do que os bebês de “animais racionais” (nós).

- Você sabia que é o tamanho da cabeça do bebê e da pelve estreita da mãe que determina a hora de nascer?

No último trimestre de gestação, o cérebro do bebê cresce demais. Se os bebês não nascessem após 266 dias de gestação, e ficassem mais tempo dentro do útero, e se seus cérebros continuassem a crescer na mesma velocidade, a cabeça não passaria pelo canal vaginal e colocaria em risco a sua vida e a de sua mãe. Dessa forma, mesmo sem estar “completamente pronto”, o bebê precisa nascer e nasce por conta própria, ao seu próprio tempo.

Isso mostra a necessidade do cuidado do nascimento ao tempo certo, sem nada nem ninguém para apressá-lo. Ele já está nascendo antes do que deveria para estar pronto. Tirar um bebê do útero sem respeitar seu próprio tempo de desenvolvimento (cérebro, sistema digestório, circulatório, respiratório) pode acarretar grandes riscos para sua sobrevivência após o corte do cordão umbilical.

Já consegui convencer vocês que nosso bebê nasce antes do que devia (prematuro), que precisaria de pelo menos mais 9 meses de gestação para nascer “mais pronto”, que demora a se desenvolver e precisa da presença mais constante de seus pais e familiares para que esse processo ocorra da forma mais satisfatória e completa possível?

Vamos devagar, tá? Sem pressa. Vou dar um tempo para se digerir melhor essas informações e voltamos
 amanhã, pode ser? Aguardo vocês aqui de novo.

Dr. Moises Chencinski


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cólicas em Bebês - parte 1

 
Uma das dúvidas mais comuns das mulheres, desde gestantes até depois do parto, discutidas tanto em consultas quanto em grupos de apoio ou entre familiares, razão dos mais diversos métodos de diagnóstico e sugestões de tratamentos, a cólica infantil parece muito mais comum do que ela realmente é, segundo mostram pesquisas.

E muito embora ainda haja estudos recentes sobre causas e tratamentos de cólicas infantis, a definição é a mesma usada desde 1954 (isso mesmo, artigo publicado no Pediatrics de novembro de 1954), onde se faz uma revisão sobre os termos “cólica infantil” ou “agitação paroxística” e um  estudo sobre o sintoma: mais de 3 horas de choro por dia, por mais de 3 dias por semana por mais de 3 semanas.

Nesse estudo (lembrem-se que é de 1954), o quadro acontecia a partir da 2ª semana de vida, com um pico na 6ª semana durando até entre a 12ª e a 16ª semanas (entre 3 e 4 meses), na maior parte das vezes no final da tarde e à noite, em bebês com características semelhantes (peso ao nascer, ganho de peso, sexo, escolaridade materna, história familiar de alergia e alimentação). Em quase 50% dos casos sintomáticos, a tensão familiar foi considerada fator importante no desencadeamento desse sintoma (25% de casos, nesse estudo, não se encontrou causa aparente). E a conclusão dos autores, em 1954, foi que a cólica infantil seria “possivelmente uma das respostas somáticas mais precoces à presença de tensão no ambiente”.



A primeira questão a se pensar seria:

- Por que razão, os dados numéricos (mais de 3 horas por dia, mais de 3 dias por semana, por mais de 3 semanas) persistiram como verdade absoluta e são base para estudos modernos sobre cólicas, mas o dado mais relevante do estudo, ressaltado na conclusão pelos autores, sobre a influência de tensão familiar (representando fatores emocionais) é constantemente "esquecido" e não é levado em consideração?







Da vida no útero para a vida “sem lar”.

Antes de continuarmos a conversar sobre cólicas, que tal entendermos um pouco mais sobre a transição da vida de feto para recém-nascido? No meu livro “Gerar e Nascer – um canto de amor e aconchego” (2008), na segunda parte, capítulo 2, faço uma longa reflexão sobre isso. Mas quero trazer aqui alguns pontos em especial:

Onde fica o bebê?

Nós costumamos ter a ideia de que o bebê é um pontinho minúsculo que fica nadando na imensidão da “piscina amniótica”. Isso não é bem real. O aumento de tamanho do bebê durante as semanas de gravidez é que “induz” o útero a crescer. Assim, quando chega perto do parto, apesar de termos o líquido amniótico, a placenta e o cordão umbilical dentro do útero, é quase como se o bebê “vestisse o útero“ e fosse uma roupa um pouco folgada. É por essa razão que a mamãe sente, por exemplo, nas costas, a cada vez que seu filhinho amado estica uma perna, ou perto do estômago quando ele resolve se “espreguiçar”. O útero é um órgão muscular resistente, capaz de se esticar e aumentar X vezes seu tamanho, para abrigar o bebê dentro dele. E aí ele fica no líquido amniótico, que é estéril e quentinho.

Som

Uma das razões que fazem os bebês pararem de chorar quando estão no colo de sua mamãe é o fato de se “lembrarem” de um som que os acompanhou por essa jornada: o coração materno. Temos medo do que não conhecemos, mas quando encontramos um rosto amigo, familiar, costumamos nos acalmar. Acontece assim com seu filhinho também. Além desse som, o bebê convive com os (não tão românticos) ruídos hidroaéreos do aparelho digestório da mamãe. Assim, pensem bem antes de passar por aquela orgia alimentar, pois isso poderá gerar gases que, perto de um útero, podem, no mínimo, incomodar a paz e a harmonia desse ambiente.

Além dos sons intrauterinos, ele pode sentir a vibração das vozes que tentam se comunicar com eles durante a gestação. Músicas, as vozes do papai e da mamãe são sempre bem recebidas (para todos) durante essas 40 semanas (parece mais do que 9 meses, não parece?).

Proteção

Dificilmente, o bebê vai encontrar, durante toda sua vida, um local onde ele fique mais protegido do que no útero materno. E a mamãe também, pouco provavelmente, vai se sentir mais super-protetora em algum outro momento que não seja esse.

Enquanto está dentro do útero materno, alguns riscos são minimizados e quase ausentes.

- Fome – todo alimento que o bebê necessita é trazido a ele através do sangue do cordão umbilical. Assim, ele não perde a hora de comer, não come demais nem de menos, e ele come “aquilo que você comer”. Assim sendo, cuidado com a sua alimentação. Alguns estudos mostram a importância do hábito alimentar da gestante na criação do hábito alimentar de seus bebês após o parto.

Alimentação

Aqui, a futura mamãe não poderá dizer a mais conhecida frase em consultórios pediátricos: - “Doutor, meu filho não come.”

Isso porque o “alimento” chega através do... adivinhem... isso mesmo: do cordão umbilical também. Os nutrientes que o bebê necessita chegam através do sangue que vem da mamãe. E aí, seu filho não vai dizer que não gosta de verdura, que prefere chocolate ou salgadinhos. Então, se você não quer que ele coma nada disso, preste muita atenção na sua alimentação, viu? Tenha uma dieta equilibrada e saudável porque isso será o primeiro passo para cuidar da saúde de seu bebê, agora e para o futuro.

Enquanto estamos dentro do útero (embrião e feto), temos nossas necessidades básicas preenchidas. Imediatamente após o parto, sem nenhum aviso prévio, perdemos nosso lar (útero), nossa amiga (a placenta – conhecida em muitos lugares no Brasil como “companheira”) e a nossa linha da vida (cordão umbilical – por onde chegam o oxigênio e o alimento).

Essa é uma grande perda, abrupta, profunda e até assustadora. O bebê pode reagir para, inconscientemente, tentar retomar a intimidade e a suficiência da vida que vivia até então.

Será que existem mesmo cólicas? Será que isso não é parte do desenvolvimento e da evolução dos bebês numa tentativa de resgatar sua rotina anterior? Nas próximas semanas estaremos retornando a esse assunto e tentando colocar uma luz diferente no final do túnel. Te espero aqui, tá?

Dr. Moises Chencinski

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sangue de cordão umbilical não é seguro de saúde

ABHH alerta: sangue de cordão umbilical não é seguro de saúde

ABHH manifesta sua preocupação quanto ao armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso autólogo em bancos privados.

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), entidade sem fins lucrativos cuja missão é representar a comunidade de profissionais da área de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, manifesta por meio de nota oficial sua preocupação quanto ao armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso autólogo (células-tronco do sangue de cordão do próprio indivíduo transfundido para ele mesmo), em casos que não haja indicação médica.

Não existe justificativa para armazenar o sangue de cordão umbilical para uso autólogo. No Brasil, os bancos privados de sangue de cordão têm alimentado um comércio baseado em propaganda enganosa, uma vez que vendem a ideia de que com esse ato é possível garantir qualidade de vida e salvamento em casos de doenças no futuro. Sangue de cordão não é seguro de vida.

A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento.

Portanto, em vez de a família pagar a taxa para coletar as células durante o parto, seu congelamento e manutenção, ela pode, se precisar no futuro, acionar a rede pública para realizar o transplante com células de outro doador - já que a compatibilidade necessária para o transplante de células-tronco do sangue de cordão umbilical é menor do que a requerida pelo transplante de medula óssea.

No Brasil não há regulamentação para o uso do sangue de cordão umbilical e placentário para fins terapêuticos. A Comunidade Europeia é contra o armazenamento privado, sendo a prática proibida em muitos de seus países. Enquanto isso, os bancos privados de sangue de cordão umbilical brasileiros mudaram a estratégia. Agora querem convencer que o congelamento é necessário porque, no futuro, este sangue pode se utilizado em Medicina Regenerativa.

A utilização de sangue de cordão, apesar de ser uma excelente fonte de obtenção de células-tronco, neste tipo de terapia celular ainda se encontra em fase experimental e não deve ser realizada cobrança para estas coletas, já que não há respaldo científico, nem indicações clínicas precisas que deem suporte para este tipo de procedimento. Para se ter uma ideia, o sangue ainda conserva suas propriedades até 20 anos após a coleta, após esse período a “qualidade” desse sangue é reduzida.

O país já possui bancos de armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário públicos, como a Rede BrasilCord, lançada pelo Ministério da Saúde em 2004, para o atendimento de pacientes que necessitam de células-tronco e que aguardam transplante de medula óssea.

O material é coletado por equipes treinadas, em maternidades conveniadas aos bancos públicos,  sob rígidos critérios de seleção de gestantes. As mães assinam um termo de consentimento informado para efetivar a doação aos bancos públicos. Além disso, para ser aceita como doadora de sangue de cordão a mãe passa por uma anamnese semelhante ao doador de sangue, além de uma investigação sobre doenças familiares e maternas, que possam inviabilizar a utilização da bolsa.

Diretoria da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular

Site da ABHH: www.abhh.org.br

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Lenda do Sapatinho Vermelho!

A utilização desta cor é representada de várias maneiras e por diferentes simbolismos em cada cultura.

Os índios empregavam o vermelho para proteção contra negatividade. As noivas orientais vestiam-se de vermelho para garantir vida longa aos casamentos. De acordo com as culturas orientais o vermelho é a cor da liderança, da prosperidade, da felicidade e da iluminação.


Há várias versões sobre a origem da lenda do sapatinho vermelho. A mais difundida é que tenha se popularizado através de um costume cigano.

De acordo com a lenda que envolve os sapatinhos, cada bebê escolhe um casal para ser seus pais. Mas havia um que estava muito preocupado com sua nova experiência. Percebendo as dúvidas do pequeno, apareceu a Mestra que tem o poder de sentir todas as coisas. Ela colocou a mão em sua cabeça e falou: “Tenha confiança. Para que sua vida na Terra seja tranquila eu enviarei um amuleto sob a forma de presente, garantindo sua saúde e felicidade”.O destino reservou que aquele bebê nascesse numa família de ciganos europeus. E o primeiro presente que recebeu foi um par de sapatinhos vermelhos que ele usou e guardou para sempre. O bebê cresceu e tornou-se muito conhecido e respeitado por todos, assim como seu amuleto. A partir de então, a tradição de dar sapatinhos vermelhos para os recém-nascidos se espalhou pelos cinco continentes.”

Recomenda-se que todo recém nascido use um par de sapatinho vermelho, em especial na saída da maternidade. Isto para espantar o mau olhado e atrair sorte e saúde!

:)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O que fazer quando a febre aparece


Você percebe que seu filho está quente, coloca o termômetro e logo vem o resultado: ele está com febre. Com a confirmação também aparece um caminhão de preocupações: o que devo fazer? Melhor medicá-lo logo? Será que está doente?
“A febre é amiga. Ela faz parte da defesa do organismo e ajuda a combater os eventuais invasores”, explica a pediatra Silvia Gioielli, de São Paulo. Então, a primeira coisa a ser feita é respirar fundo, acalmar-se e observar o seu filho.
Por se tratar de um quadro em que o organismo da criança está reagindo contra um agente invasor, não há indicação para medicá-lo já no início da febre. Mas existem algumas atitudes simples que você pode fazer para que seu filho se sinta melhor:

- Mantenha-o em repouso, longe de agitação.
- Vista-o com roupas leves.
- Fique por perto para ajudá-lo, observar a evolução da febre e dar muito carinho.
- Mantenha-o hidratado. Dê preferência para água e água de coco.
- Ofereça alimentos como sopa de legumes, arroz e macarrão.
- Para os lanches, sirva bolachas simples de água e sal ou maisena, torradas com geleias de frutas e frutas cozidas ou assadas.
- Banho morno ajuda a baixar a febre e faz com que a criança melhore o mal-estar. Ao contrário das medicações antitérmicas, o banho abaixa a febre de forma gradual, sendo, assim, mais seguro.

Como medir a temperatura?
Use termômetros que são colocados nas axilas (mais confiáveis). Os de mercúrio demoram 3 minutos para verificar a temperatura, os digitais avisam quando a medição está finalizada.


Qual temperatura é considerada como febre?
Estado subfebril: de 37°C a 37,8°C
Febre: de 37,9°C a 38,8°C
Febre alta: acima de 38,9°C






Quando medicar?
Prefira entrar com medicação antitérmica quando a febre ultrapassar 38,8°C ou quando seu filho apresentar muitos sinais de desconforto. Enquanto a criança estiver ativa e bem disposta, apenas acompanhe a evolução da febre. Cuidado para não medicar em excesso ou repetidas vezes — isso pode gerar um quadro de hipotermia além de impedir que o organismo do seu filho reaja contra os agentes invasores.

Mas e a tal da convulsão febril?
Causada pela rápida elevação da temperatura, ela pode acontecer em uma em cada 25 crianças com idade entre 9 meses e 5 anos. “As crianças que estão fora da faixa etária mais comum, que não têm antecedente familiar de convulsão febril ou que nunca tiveram um episódio antes, dificilmente apresentarão um primeiro episódio”, tranquiliza a pediatra. Por isso, se seu filho nunca teve uma convulsão febril, não se preocupe com ela.Se a convulsão febril acontecer, mantenha a calma e procure o pronto atendimento médico. Mas saiba que, na maior parte das vezes, ela é benigna e não traz riscos de vida, nem gera sequelas.

Quando procurar atendimento médico?
“Se, além da febre, seu filho apresentar sintomas como queda do estado geral, irritabilidade extrema (principalmente em bebês), muita sonolência, vômitos, dores de cabeça ou convulsões, procure o atendimento em um pronto socorro”, aconselha Silvia. Se a febre durar mais de 48 horas, procure a orientação do seu pediatra.
No caso de bebês recém-nascidos até 3 meses, vá ao médico logo no primeiro pico de febre. “A febre em bebês também pode ser causada por desidratação ou por aquecimento excessivo (muito agasalho nos primeiros meses)”, alerta a pediatra Thelma Oliveira, em O Livro Da Maternagem (Editora Schoba, 2012), onde assina como Dra. Relva.
Lembre-se sempre de que a orientação do seu pediatra é importante em casos de dúvidas e febre alta.


bebe.abril

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Brincando no banho

As brincadeiras ajudam no desenvolvimento psicomotor da criança. Já que o banho tem que ser diário, é bom que a criança aguarde ansiosa por essa diversão. Então, nada melhor do que aproveitar esse momento para brincar com o bebê e fazer o banho virar uma grande atração.

Existem centenas de brinquedinhos próprios para o banho. Escolha os modelos de borracha, que a criança pode morder à vontade, e bem coloridos para atrair a atenção. Ensine o bebê a pegar o brinquedo, afundar, jogar. Brinque também com as bolhas de sabão e com a água. Eles adoram respingar, bater na água, fazer barulho. As crianças são curiosas e gostam de novidades.

Sempre que possível, chame o pai ou os irmãos mais velhos para participar. Enquanto a mãe dá o banho, o papai e os irmãozinhos podem estimular o aprendizado do pequenino com brincadeiras simples como esconde-esconde usando a toalha.

Para entreter e estimular a linguagem oral, cante músicas que falem de água, de barquinhos. Durante a canção, faça movimentos com o corpo do bebê para frente e para trás e brinque com a água.

Durante a brincadeira, segure firme o bebê. Às vezes, eles se empolgam e podem escorregar na banheira com um movimento brusco do corpo. Fique atento também para não deixar a água com sabão espirrar nos olhos da criança. Qualquer descuido pode acabar com a brincadeira.



Paula R. F. Dabus