quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sete benefícios de ser mãe depois dos 35

Acredite: ter filhos em uma fase mais madura da vida tem muitas vantagens.

Sete benefícios de ser mãe depois dos 3
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Hoje em dia, são comuns as mamães de primeira viagem com mais de 35 anos. Nessa fase, muitas mulheres se encontram em uma situação mais estável e sentem mais segurança na hora de educar o bebê. Mas o que muita gente não sabe é que há muitas vantagens em ter filhos nessa fase da vida, desde a sexualidade da mãe até a diminuição do risco de depressão pós-parto. Quer saber mais? Listamos a seguir os principais benefícios da maternidade tardia:

1. Mais paciência
“Mamães mais velhas tendem a investir mais na educação dos filhos e ainda têm mais experiência e sabedoria para compartilhar com eles”, conta o ginecologista Marcello Valle, especializado em Reprodução Humana, da clínica Origem, no Rio de Janeiro. Além disso, terão mais oportunidades para levar os filhos na escola, participar de reuniões escolares e “ainda costumam ter mais paciência com as crianças”, avalia a psicóloga e psicoterapeuta, Cynthia Schincaglia, do Rio de Janeiro.

2. Mais maturidade
Os benefícios não são uma exclusividade das mamães, não. Com o passar do tempo, os papais também tendem a ter uma melhor situação financeira. Isso se reflete na segurança que ele vai oferecer ao bebê. “O homem mais velho conta com uma estabilidade bastante importante para a chegada do filho – o que melhora a relação do casal e a revigora”, diz Soraya Deminicis, psicóloga e sexóloga, de São Paulo.

3. Maior disponibilidade para a criança
Quanto mais velhos forem os pais, mais presentes estarão na vida dos filhos, pois já deram conta de suas prioridades e podem planejar melhor o futuro da criança. “Com mais de 35 anos, o casal está maduro e tem uma relação equilibrada – o que é ótimo para a educação das crianças”, explica Cynthia. “Sem contar a disponibilidade de tempo: aos 20 anos, parece que o mundo está correndo lá fora. Essa sensação não aflige as mulheres mais maduras com tanta intensidade”, acrescenta a ginecologista e obstetra Maria Cecília Erthal, diretora médica do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no Rio de Janeiro.

4. Risco de depressão pós-parto diminui
A maior incidência de depressão  pós-parto ocorre nas mães que têm entre 15 e 24 anos. “Com mais de 35 anos, a gestação tende a ser planejada, o que diminui a chance de depressão pós-parto”, explica Marcello.

5. Gravidez tranquila
Alterações hormonais em gestantes fazem com que as emoções oscilem bastante. Porém, em mulheres mais velhas, a proporção que esses sentimentos tomam é menor graças à maior experiência de vida. “A oscilação de emoções sempre ocorre na gravidez, tanto nas mães mais jovens como nas mais velhas, mas o que muda é a maneira de lidar com elas”, explica Soraya.

6. Saúde em dia
Quando a mulher tem mais de 35 anos, o risco de desenvolver diabetes, hipertensão arterial na gestação e ter um parto prematuro são maiores. Graças a isso, gestantes mais maduras costumam fazer um acompanhamento mais rigoroso nessa fase e tomam mais cuidados com a saúde do que as mamães mais novinhas.

7. Melhor relação com o corpo
Segundo Soraya, essas mulheres mais experientes também lidam melhor com as mudanças que ocorrem no corpo – o que faz bem até para a sexualidade delas. “A relação da mulher com o seu corpo se torna mais consciente, impedindo que as alterações causem impacto na vida sexual e na interação com o parceiro”, finaliza a psicóloga e sexóloga.

Fonte: Lígia Menezes

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

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Conheça 18 dicas infalíveis para ter seu abdômen de volta depois de dar à luz e ficar de bem com o seu corpo

barriga
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A barriga, com certeza, é a parte do corpo que passa por mais transformações durante os noves meses de gravidez. O útero, originalmente do tamanho de uma pera, cresce até alcançar a dimensão de uma melancia – o que faz todos os outros órgãos do local se deslocarem para cima. Os músculos abdominais se afastam e vão para os lados. Para acompanhar esses movimentos, a pele estica o máximo que consegue, fica mais frágil e ressecada. Apesar de todas essas assustadoras alterações, nosso corpo está preparado para retornar ao que era antes. Mas é preciso ajudá-lo. E o primeiro passo é começar com os cuidados ainda durante a gravidez. Confira abaixo as 18 dicas mais importantes dadas pelos especialistas para ter seu abdômen de volta – ou até uma versão melhorada!

Cuidados durante a gravidez
De olho na balança
A melhor garantia de sucesso no projeto “quero meu abdome de volta” é controlar o ganho de peso durante a gravidez. Quanto mais engordar, mais difícil será perder os extras e lidar com uma possível flacidez. No Brasil os médicos aconselham a ganhar de 11 a 15 quilos nos nove meses. Lembre-se: estar grávida não significa comer por dois. Especialistas apontam que 300 calorias a mais por dia é o ideal – algo equivalente a um sanduíche natural com pão integral e patê ou uma fatia de bolo acompanhada por suco de frutas. Controle-se!

Gestante em ação
Quem já faz algum tipo de atividade pode continuar com as devidas adaptações para a nova fase. Já as mulheres sedentárias devem escolher as modalidades de baixo impacto como a caminhada, a natação, a hidroginástica e o pilates. A yoga é uma ótima opção já que pode ser feita desde o começo da gravidez até o final, com aulas adaptadas e irá ajudar muito na respiração e postura da futura mãe.

Atividade física
Outra atitude que ajuda a monitorar o peso e a estética do abdome são os exercícios físicos. Converse com o seu médico pois o seu histórico de saúde e de atividades físicas, além do andamento de sua gravidez, é que vão determinar quando e por onde começar. Alguns obstetras só liberam exercícios depois do primeiro trimestre enquanto outros aconselham a começar antes.

Prevenção de estrias
Outra mudança que preocupa as mulheres são as estrias. Elas são causadas pelo estiramento do abdome e o ganho de peso muito rápido. O aparecimento desse problema está associado a questões genéticas, mas hidratar muito bem o local pode evitar seu surgimento. Aplique o hidratante pelo menos duas vezes ao dia no abdome. Prefira produtos específicos para grávidas, que possuem ingredientes mais potentes e nenhuma substância química prejudicial. A hidratação vai ajudar não só no combate às estrias, mas também a diminuir a sensação de coceira, causada pelo estiramento e ressecamento da pele.

Linha da gravidez
Não se preocupe se surgir uma linha levemente marrom em sua barriga. A linha nigra (ou alba), como é conhecida, nasce por conta dos hormônios da gravidez e desaparece alguns meses depois do parto. Evite tomar sol para não escurecê-la ainda mais

Barriguinha bem cuidada
Existem alguns tratamentos estéticos que você pode fazer mesmo estando grávida, para ajudar na manutenção da saúde da pele do abdome:
Manobra de Jaquet - massagem realizada por um fisioterapeuta, feita com movimentos suaves em forma de pinçamentos da pele que irão estimular a circulação local. 
Dermotonia - técnica francesa na qual movimentos delicados estimulam a drenagem linfática do tecido do abdome para obter uma irrigação sanguínea ideal.

Nada de descolorante
Durante a gravidez não use produtos para descolorir os pelos do abdome. Além do risco de causar alergias, eles possuem amônia, substância que pode afetar o desenvolvimento do bebê.


Cuidados no pós-parto
Amamentação
A melhor maneira de perder os quilos extras – e consequentemente a barriga extra – é amamentar. O ato, além de ajudar no vínculo da mãe com o filho e proteger o bebê, também faz a mulher gastar cerca de 750 calorias diariamente. O mesmo que uma aula aeróbica, com a vantagem de você não precisar sair de casa!

Comida balanceada
Investir em uma alimentação saudável continua a ser o melhor para não acabar com seus planos. Não compre tentações e encha a geladeira com verduras, legumes e frutas, de preferência já preparados para quando bater a fome.

Ansiedade sob controle
As mudanças hormonais do pós-parto somada a rotina corrida e noites maldormidas podem dar muita fome. Em nome da futura barriga chapada, controle sua alimentação e descubra outras maneiras de aplacar a ansiedade, como conversar com as amigas, meditar ou ver televisão.

Hidratação
Beba muita água, cerca de 3 litros por dia, principalmente se estiver amamentando. Além do corpo precisar da substância para produzir o leite, a água estimula o funcionamento dos rins, acelerando a eliminação dos líquidos que estão retidos pelo corpo — e melhora a aparência da barriga!

De volta à malhação
Retome as atividades físicas. Geralmente os obstetras liberam os exercícios duas ou três semanas depois de um parto normal e de quatro a seis semanas para quem fez cesárea. Essas últimas devem evitar esforço abdominal nos três primeiros meses. Você pode começar empurrando o carrinho do bebê no parque, por exemplo. E quando estiver mais disposta, aumente a quantidade e potência do exercício em uma esteira ou bicicleta ergométrica.

Hora da massagem
A drenagem linfática pode ajudar bastante. Os movimentos suaves e lentos estimulam a circulação reduzindo a retenção de líquidos no corpo e diminuindo o inchaço, inclusive do abdome.

Grandes aliados
Alguns tratamentos estéticos podem ajudar nos cuidados com barriga:
O Thermacool, um procediemnto de radiofrequência que estimula a formação de colágeno novo e remodela o já formado, pode ser feito três meses depois do parto mesmo que você esteja amamentado.
O Ultrashape utiliza ondas de ultrassom que rompem as células de gordura, dissolve-as e fazem com que sejam absorvidas pelo organismo. Assim, promete acabar com a gordura localizada do abdome, mas só pode ser feito depois do período de amamentação.
O mesmo acontece com o Velashape, aparelho que reúne as tecnologias de sucção mecânica, raios infravermelhos e radiofrequência, e deixam a barriga com a pele mais firme, menos inchada e sem gordurinhas.

Pele sempre macia
Continue a usar um bom hidratante. Você pode voltar a usar o seu preferido, continuar com o escolhido na gravidez ou investir em uma nova marca desde que seja confiável.

Barriga definida
Uma boa dica é fazer aulas de yoga, que fortalece a musculatura da barriga, tonificando e ajudando os órgãos a retornarem ao local de origem. Existe uma série de àsanas (posturas físicas) que auxiliam no fortalecimento do abdome, fazendo com que a pele e a musculatura voltem a seu tônus natural.

Apagando marcas
Caso tenham aparecido estrias, existem tratamentos que ajudam a deixar a aparência melhor, embora não haja nada que desapareça completamente com elas:
Laser - é considerado um dos melhores métodos, pois pode ser realizado mesmo quando a mãe está amamentado, já que não utiliza nenhum tipo de ácido. Começando o tratamento mais rápido, é possível cuidar das estrias quando ainda estão novas e vermelhas.
Ácido retinóico - Só pode ser realizado depois do período de amamentação. As altas concentrações do ácido estimulam o crescimento de novos vasos sangüíneos dérmicos e promovem a restauração do colágeno e da elastina. As aplicações são feitas em casa, antes de dormir, mas a mulher deve ser orientada por um especialista.
Ácido glicólico - também só pode ser feito depois do período de amamentação. Esse procedimento, que usa ácido glicólico a 70% é realizado por um médico semanalmente é costuma ser feito em conjunto com o tratamento com ácido retinóico. Ele é indolor e são realizadas, no geral, de dez a vinte sessões para um bom resultado.
Microcristais - um aparelho com microcristais de alumínio age sobre as estrias, causando uma forte esfoliação na região afetada. Com essa irritação local, será estimulada a formação de novas fibras de colágeno, que constituem a pele. Em geral é dolorido e necessita de anestesia local, por isso o recomendado é fazer depois do período de amamentação. O número de sessões varia de dez a vinte, de acordo com o tipo de pele. É mais utilizado em estrias brancas, e deve ser aplicado com cautela em peles morenas.
Subcisão - uma agulha especial, com uma pequena lâmina cortante na ponta, é introduzida na estria, liberando a fibrose local e estimulando o preenchimento na região de depressão da estria. Indicado para estrias antigas com depressão local e coloração esbranquiçada. É necessário anestésico local, e as sessões variam de duas a três.

Corpo modelado
Usar uma cinta após o parto ajuda os músculos do abdome a voltar a sua posição normal e os órgãos internos ficam mais bem posicionados. O ideal é que seja usada logo ao chegar em casa. Prefira modelos de tecidos mais naturais e sem arames. É aconselhável usar durante cinco meses.



Fonte: Abner Lobão, ginecologista e obstetra da Universidade Federal de São Paulo; Carla Góes Souza Pérez, especialista em medicina estética, autora do livro Grávida e Bela (editora Ediouro) e co-diretora da clínica médica Núcleo Vital, Denise do Amaral Santana, professora de yoga da Contours – Academia para Mulheres, Unidade Lapa.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

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Jeitos de amamentar

Aprenda diferentes maneiras para o aleitamento. Assim, a mulher previne fissuras nos mamilos e garante que todo o leite produzido na mama seja liberado para seu filho.

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Os manuais de amamentação sugerem alternar a posição da criança durante o aleitamento. Desse modo, a mulher previne as fissuras nos mamilos e garante que todo o leite produzido na mama seja liberado para o bebê. Conheça quatro maneiras de amamentar:


Clássica

A mãe fica sentada e apoia a cabeça do bebê sobre a dobra do cotovelo. É dessa maneira que a maioria das mulheres prefere amamentar. Uma dica é colocar um travesseiro ou uma almofada sob o corpo da criança, mantendo-a ainda apoiada no braço. Desse modo, mãe e filho ficam mais confortáveis.

Na cama

Mãe e bebê deitam frente a frente. Com a cabeça apoiada no travesseiro, ela oferece o peito do lado que está deitada. O bebê pode ficar com a cabeça apoiada no antebraço da mãe, todo envolvido por ela, ou deitado na cama ou com as costas apoiadas por ela, na hora da pega. Nessa posição, a mulher precisa estar acompanhada para não correr o risco de dormir. "Isso porque ela pode se virar ou o bebê fazer algum movimento perigoso", explica Lívia Teixeira.



Invertida

Essa posição é bastante indicada em caso de cesarianas, quando os seios estão fissurados ou o bebê não consegue abocanhar toda a aréola. O corpo dele é encaixado sob o braço da mãe, que permanece sentada. "A criança pode fazer uma boa pega porque fica de frente para o peito", explica a consultora em amamentação Lívia Teixeira, do Consultório de Aleitamento Materno, em Salvador. Assim, é possível drenar melhor o leite que fica no quadrante da mama localizado próximo às axilas.



Cavalinho

Nesta posição o bebê fica na vertical e sentado em uma das pernas da mãe. Com um dos braços, a mulher apoia a cabeça do bebê e, com o outro, posiciona a mama para ele.

Cyntia Nogueira 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

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Bebê prematuro: os cuidados vão muito além da UTI neonatal

Ser prematuro exige atenção especial não só nos primeiros meses de vida. Conheça medidas e cautelas necessárias para garantir um desenvolvimento saudável da infância à idade adulta.

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Thinkstock/Getty Images

Os cuidados com o bebê não se restringiam às semanas na UTI neonatal e aos primeiros meses em casa. O ideal seria estender um acompanhamento mais rigoroso até a adolescência e, quem sabe, a idade adulta. Com os avanços na pesquisa médica desde então, já ficou claro que as crianças apressadinhas estão mais suscetíveis, ao longo da vida, a problemas decorrentes da prematuridade.

A preocupação com esse tema cresce não só porque a maioria dos pais desconhece a necessidade dessa atenção prolongada mas também em função do aumento expressivo no número dos chamados nascimentos pré-termo no Brasil e no mundo. Um levantamento coordenado pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em parceria com outras 12 instituições brasileiras, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Ministério da Saúde, revelou que, em 2011, 11,8% das crianças nascidas por aqui foram prematuras, índice que coloca o país no mesmo nível de nações de baixa renda. "Estamos diante de um problema global, já que esse número continua aumentando", diz a pediatra Ana Lucia Goulart, coordenadora do Ambulatório de Prematuros da Universidade Federal de São Paulo.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde divulgado em 2012 dá uma ideia do tamanho do desafio: o Brasil ocupa a décima posição no ranking dos países com mais prematuros. À nossa frente estão, por exemplo, Índia, Estados Unidos e China. Ainda de acordo com o documento, a chegada adiantada do bebê é uma das principais causas de mortalidade infantil e uma das grandes responsáveis por prejuízos à saúde de curto a longo prazo.

As consultas com o pediatra e outros especialistas permitem corrigir desvios capazes de comprometer o desenvolvimento físico e psicológico, além de nortear atitudes para prevenir complicações por muitos e muitos anos. A começar pelo coração. Estudos apontam que os pré-termos estão mais propensos à síndrome metabólica lá na frente, aquela combinação de inimigos das artérias, como pressão alta, colesterol elevado e acúmulo de gordura na barriga. "Sem um suporte médico adequado ao nascer, o indivíduo tende a ter problemas com placas nos vasos mais precocemente, logo no início da vida adulta", observa a cardiologista pediátrica Patrícia Elias, do Hospital do Coração, em São Paulo.

Os comprometimentos futuros pioram quando existem alterações anatômicas no coraçãozinho do prematuro. Cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acompanharam, por 20 anos, 102 indivíduos cujo parto havia sido antes do termo. Após compará-los com pessoas que ficaram na barriga da mãe até os nove meses, eles viram que o ventrículo direito do coração daqueles que chegaram apressadinhos era menor e com capacidade reduzida de bombear sangue. "Essa população deveria ficar alerta quanto à maior possibilidade de ter pressão alta mais tarde", diz Adam Lewandowski, cardiologista que assina a pesquisa. Ou seja, há motivos suficientes para recomendar uma avaliação cardiológica criteriosa na infância e incentivar, desde cedo, alimentação balanceada e prática de esportes.

O cérebro do prematuro também pode penar um pouco mais para ficar tinindo. Em um experimento da King's College London, na Inglaterra, pesquisadores avaliaram a massa cinzenta de 55 prematuros e de dez bebês nascidos no período ideal. Os achados demonstraram que, nos casos de parto precoce, houve uma falha na formação de áreas ligadas, por exemplo, à memória e às emoções, o que poderia atrapalhar, anos adiante, funções cognitivas e o aspecto comportamental.

Mas não há razão para mamães e papais entrarem em pânico. O cérebro dos pequenos é, ainda assim, capaz de reverter essa situação graças à plasticidade neural, fenômeno que permite ao órgão se moldar de acordo com novos estímulos e situações. O interessante é que o afeto e o apoio da família potencializam as conexões entre os neurônios. "Toda criança deve ser instigada a trabalhar habilidades motoras e a desenvolver a linguagem e a sociabilidade. E isso é mais importante no caso dos prematuros", destaca a neuropediatra Lygia Ohlweiler, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Não é uma tarefa de outro mundo. Um trabalho do Centro Médico Beth Israel, nos Estados Unidos, constatou que, quando os pais entoam canções de ninar a seus prematuros, os batimentos cardíacos, a respiração e até o sono deles melhoram. "Contar histórias, colocar uma música ou brincar com eles são atitudes que só colaboram", diz a psicóloga Elza Corrêa Cunha, da Universidade Federal de Sergipe. Com acompanhamento médico e família presente, o prematuro não antecipa problema algum. E eu, apesar de só estar por dentro disso tudo agora, não vou perder tempo em marcar meu checkup.

O que é um prematuro?
Considera-se que um bebê nasceu antes do tempo quando a gestação dura menos que 37 semanas. Mas há diferentes níveis de prematuridade: entre 32 e 36 semanas, os pequenos são chamados de prematuros tardios; aqueles nascidos no período de 28 a 31 semanas são denominados simplesmente prematuros; e os que tiveram de sair do útero entre 24 e 27 semanas são os prematuros extremos.

Para nascer no tempo certo
Cigarro, álcool, infecções, excesso de peso e pré-eclâmpsia estão entre os principais fatores que levam uma mãe a dar à luz antes da hora. Por isso, adotar hábitos saudáveis e fazer o pré-natal é fundamental para a cegonha não se apressar. "O ideal é procurar um especialista antes mesmo de engravidar a fim de que a mulher comece a gestação em equilíbrio", recomenda o obstetra Roberto Bittar, da Universidade de São Paulo.

Pontos de atenção
Veja os problemas a que os prematuros estão expostos e algumas medidas para enfrentá-los:

Visão
O maior perigo é a retinopatia da prematuridade, doença capaz de levar à cegueira. Eis a importância dos exames na UTI neonatal e das visitas ao oftalmologista no primeiro ano de vida.

Audição
Bebês que ficam muito tempo no hospital têm mais risco de sofrer danos no ouvido devido aos remédios. Por isso, a triagem auditiva e o acompanhamento fonoaudiológico são imprescindíveis.

Vias Aéreas
Recém-nascidos prematuros têm insuficiência respiratória e precisam de oxigênio com frequência. Devido à imaturidade dos pulmões, também sofrem mais pneumonias.

Baixo Peso
A desnutrição é uma das principais ameaças à saúde, principalmente nos prematuros extremos. Com ela, viria a maior dificuldade de comer direito mais tarde - e, logo, ganhar peso e estatura.

Cérebro
Quando há falhas neurológicas sérias, essas crianças têm dificuldade de aprendizado, atrasos na linguagem e até retardo mental. Daí a necessidade de procurar um neuropediatra.

Comportamento
Se não houver suporte médico e psicológico, ser prematuro é fator de risco para distúrbios comportamentais, como déficit de atenção, ansiedade, depressão e agressividade.

Coração
Além da tendência a lesões nas artérias, o nascimento antecipado pode comprometer a formação do órgão, gerando o sopro cardíaco — que às vezes repercute na qualidade de vida.

Joana Alves/Revista SAÚDE